Um Romance Real em meio ao caos

Duas garotas se apaixonam quando tudo ao redor parece desmoronar


Se eu pudesse dar 2 dicas para quem vai embarcar para Londres junto com a Day seriam: coloque a playlist do One Direction para tocar e pegue um lencinho. Em relação à playlist, Clara Alves já providenciou. O lencinho é opcional, mas eu pensei que sairia ilesa e terminei mandando selfie com cara de choro pelo whatsapp.


Apesar do título, Romance Real, novo livro de Clara Alves, é uma história que, além do amor adolescente, fala muito sobre as relações familiares e sobre luto. No livro, Dayana, uma jovem do Rio de Janeiro, perde a mãe e está desembarcando em Londres para morar com o pai que não vê há 10 anos.


Dayana é uma jovem difícil, mas suas atitudes são justificadas pelo momento conturbado que ela vem enfrentando. Ela e a mãe eram obcecadas por Londres e sonhavam em conhecer a cidade juntas, mas com a morte de Patrícia, enfrentar essa nova realidade ao lado de um pai que é praticamente um estranho pode ser bem difícil.


Suas expectativas mudam, no entanto, quando ela esbarra com uma jovem misteriosa que está fugindo do Palácio de Buckingham. Diana cai em cima de Dayana, literalmente! E como ela está sendo seguida, as duas correm pelas ruas de Londres até pararem em um café. Depois disso, elas passam a se falar com frequência e Day, emocionada que só, fica caidinha pela ruiva que é cheia de segredos.


“Eu aceitaria alguns segredos, contanto que pudesse continuar a receber todos aqueles sorrisos que ela me dava.”

Romance Real tem drama, luto e fala sobre relações complicadas. No final de alguns capítulos, cenas do passado de Dayana aparecem para nos ajudar a entender um pouco melhor sua história e o que aconteceu para que ela precisasse mudar para tão longe. São lembranças da mãe, mágoas com o abandono do pai e algumas experiências ruins com relacionamentos.


O clima na casa do pai, Roberto, é tenso desde o início. O homem parece não achar que precisa se desculpar por todos os anos de ausência na vida de Dayana. Para completar o combo da família problemática, Lauren, a madrasta e Georgia, a irmã postiça, são totalmente inconvenientes. O único que parece ser uma boa companhia é Ruffles, o cachorro da casa.


Além de uma protagonista gorda e bissexual, o livro trás um interesse romântico pansexual. Elas conversam sobre isso e contam como foi o processo de descoberta de cada uma. Tudo isso enquanto escutam One Direction e fazem passeios românticos pela cidade. No decorrer da história, Dayana acaba passando por lugares que sempre sonhou em conhecer com a mãe. De certa forma, esses momentos são essenciais para seu amadurecimento e para que ela passe a lidar melhor com a ausência de Patrícia.


“Eu achava que ainda teríamos tantos anos pela frente, brigando e fazendo as pazes. Agora me arrependia de não ter sido uma filha melhor.”

Uma das coisas que vamos ver com frequência quando o assunto for Romance Real é a construção de uma família real diferente. A rainha tem um filho assumidamente gay e foi a primeira a apoiá-lo e a enfrentar jornalistas tratando o assunto com naturalidade e lutando contra os membros mais conservadores da realeza.


Apesar da relação conturbada na casa do pai, aos poucos, Dayana vai criando sua rotina e se relacionando com a nova família. Diana acaba sendo a responsável pela estadia em Londres estar saindo melhor que a encomenda.


“Um sentimento aterrorizante tomou conta dos meus pensamentos por um milésimo de segundo. Eu me senti em casa.”

Mas sabe aquela história que apavora leitores de romance? O casalzinho está feliz, mas ainda faltam muitas páginas… Pois é, só vou falar isso!


Assim como em Conectadas, Clara Alves criou em Romance Real uma história que é impossível parar de ler. O mistério em torno de Diana deixa tudo mais interessante e os personagens secundários vão ganhando espaço (e o coração do leitor). Ao mesmo tempo, Dayana vai redescobrindo o prazer de viver em família.


Romance Real é uma história para quem gosta de ler sobre amores com uma dose boa de drama e muitas pitadas de bom humor. Gosto de pensar que toda vez que um YA com protagonismo LGBTQIAP+ é lançado, mais gente vai ter para onde ir quando as coisas no mundo real ficarem difíceis demais.


Lembrando que nosso catálogo tem livros com representatividade LGBTQIAP+ para todos os gostos!


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